quinta-feira, 18 de novembro de 2010


Eu posso voar! Posso avistar daqui de cima as pequenas casas de seres humanos tão grandes. Monto uma prosopopéia; Dou vida às ruas, cores e postes. Apareço entre o bando de aves que emigram. Passo por entre as nuvens enormes para emergir ao alto, mudando sua forma. Como é bom voar! Visito pessoas distantes de mim, não há espaço intransitável, sinto uma paz inarrável, sensação que me domina e que é a única coisa a qual me agarro para não cair do céu. Num vôo rasante, assusto, emociono, divirto, zango. Mas, enfim, o que importa se eu vôo? Mesmo que esse vôo figure apenas no plano de meu delírio de sonhos, solidão e esperança?
(Texto mandado por Cristiane Dantas Andrade, obrigada flor.)


Gabrielle Rodrigues de Albuquerque.