quarta-feira, 8 de junho de 2011


"Ódio? Ódio por ele? Não... Se o amei tanto, se tanto bem lhe quis no meu passado, se o encontrei depois de o ter sonhado, se à vida assim roubei todo o encanto... Que importa se mentiu? E se hoje o pranto
turva o meu triste olhar, marmorizado, olhar de monja, trágico, gelado, como um soturno e enorme
Campo Santo!  Ah! nunca mais amá-lo é já bastante! Quero senti-lo d’outra, bem distante, como se fora meu, calma e serena! Ódio seria em mim saudade infinda, mágoa de o ter perdido, amor ainda.
Ódio por ele? Não... não vale a pena..."

(Florbela Espanca)